Escola de Verão

GlobA.L. Pensando a História Global desde a América Latina

História e antecedentes

História

As primeiras ideias sobre o projeto de Escola de Verão nasceram em meio aos debates da Global History Conference organizada pelo Lab-Mundi/USP, pela UFRRJ, pela University of Pittsburgh, pela Univesität Bern e pela FGV, em 2016, no Rio de Janeiro. Nesse momento e nos anos que se seguiram, os professores Martín Bergel (UNQ), Aldo Marchesi (UDELAR) e Alexandre Moreli (USP), em conjunto e em diálogo com seus colegas e suas instituições de afiliação, realizaram diversas cooperações para debater as provocações historiográficas advindas da História Global neste início de século. Para além da proposta da Escola, o encontro de 2016 deu origem a diversas publicações, como o volume 30, n. 60, de 2017, da Revista Estudos Históricos, intitulado “Perspectivas Globais e Transnacionais” e o volume 61, n. 2, de 2018, da Revista Brasileira de Política Internacional, intitulado “Rethinking Power in Global and Transnational History”, além da obra coletiva Latin America and the Global Cold War, de 2020.

O potencial dessas trocas ao longo dos anos levou ao entendimento de que seria importante fomentar a circulação de alunas e alunos, pesquisadoras e pesquisadores e professoras e professores, mas também de fazeres historiográficos na América Latina, criando uma cooperação institucionalizada e permanente. Mais particularmente, a riqueza dos estudos desenvolvidos na região e as práticas consolidadas de investigação que, há décadas, relativizam o nacionalismo metodológico e pensam de outras formas as diversas sociedades e culturas vivendo nos espaços conhecidos como latino-americanos, estimulam um diálogo crítico com o que, nos últimos anos, apresenta-se como novidade sob o abrigo das chamadas História Global e Transnacional.

Como observa Rafael Marquese, a aspiração contemporânea por uma História mais abrangente, complexa e diversa “não pode ser apenas geográfica ou mascarar conflitos e contradições, comprando-se a já puída ideologia da globalização. Faz-se necessário construir uma perspectiva que seja capaz de contemplar diferentes dimensões temporais e espaciais, variando escalas de observação, articulando estruturas e eventos, e evitando, ao mesmo tempo, o etnocentrismo e determinismos de ordens variadas. A questão é como fazer isso sem recair no problema de outras ‘viradas historiográficas’, que surgiram como grandes novidades e acabaram afirmando sem maiores acréscimos pressupostos, narrativas e conclusões já bem conhecidos”. Assim, a fim de fomentar intercâmbios e de eventualmente produzir uma maior coesão teórica e metodológica entre diferentes tradições historiográficas que pensam os mundos latino-americanos através, e apesar, de suas fronteiras políticas é que se lançou a organização anual de uma Escola de Verão itinerante na região.

O diálogo inicial entre professores da Universidade de São Paulo (Brasil), da Universidad de la República (Uruguai) e da Universidad Nacional de Quilmes (Argentina) levou ao entendimento comum de não somente realizar a Escola anualmente e de forma alternada entre as instituições (iniciando-se com a realização no Brasil para, em seguida, passar-se ao Uruguai e à Argentina), mas, também, de se permitir, a cada edição, propostas diferentes de temas centrais a serem discutidos e ministrados.

Para além do grande tema abrangente da História Global na América Latina, serão estruturas comuns às edições três tipos de atividades: Aulas, Mesas Redondas e Oficinas de Trabalho. Enquanto as Aulas serão centradas em temas ou objetos de pesquisa, mas também em discussões teórico-metodológicas, as Mesas Redondas alimentarão um diálogo mais rico e intenso entre acadêmicos provenientes das diferentes instituições participantes. Finalmente, nas Oficinas de Trabalho, serão valorizados o engajamento e a pesquisa das alunas e dos alunos de pós-graduação participantes, em um momento em que poderão expor e debater seus trabalhos. Cada edição, por fim, contará com um Comitê Organizador e com uma grande temática próprios, alimentando uma dinâmica estimulante e criativa e uma pedagogia mais rica de formação.
 

A 1ª edição – Brasil/2026

(Temática: "Sistemas, tempos e espaços")


Contexto local
Trata-se da organização da primeira edição da Escola de Verão, comportando todos os desafios e riscos de uma tal empreitada de experimentação. Com organização local da Universidade de São Paulo, através de seu Laboratório de Estudos sobre o Brasil e o Sistema Mundial (Lab-Mundi/USP - https://labmundi.fflch.usp.br/), o evento de inauguração da Escola será moldado pela contribuição dos pesquisadores das três instituições organizadoras enquanto observa particularmente um de seus objetivos gerais, o da valorização dos perfis institucionais e das práticas de pesquisa locais. Nesse sentido, serão consideradas as discussões em torno da História Global e Transnacional publicadas em textos como os que compõem o volume 30, n. 60, de 2017, da Revista Estudos Históricos, intitulado “Perspectivas Globais e Transnacionais” e editado por Alexandre Moreli, em que figura o artigo de Aldo Marchesi “Escrevendo a Guerra Fria latino-americana: entre o Sul ‘local’ e do Norte ‘global’”, ou ainda o artigo “Tradições de história global na América Latina e no Caribe”, publicado por Rafael Marquese e João Paulo Pimenta, em 2015, na revista História da Historiografia, em seu volume 8, número 17.

Espera-se, nesse contexto, um particular enfoque nos fazeres historiográficos através de perspectivas sistêmicas e relacionais e que valorizem a pluralidade dos tempos históricos, o trabalho com diferentes escalas espaciais e a ambição pelas totalizações nas unidades de observação. Tais propostas para as atividades da Escola não excluem a possibilidade de trabalho com temas também caros ao grupo de organização local brasileiro como a História da Segunda Escravidão, a História do Café, a História do Tempo, a História das Independências, a História da Bacia do Prata, a História das Revoluções e a História do Transatlantismo e do Terceiro-mundismo.